quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ecos

Na minha inexatidão,
passeio pela curva das dúvida,
pela transparência da mentira
que inventei pra me aceitar.

Não sou santa...nem perfeita;
e quero o mundo.
Rabisco fronteiras finas
com giz de cera quebrado.

Minh'alma labirinto
não cabe em mim
e eu, no meu eu, me afundo

Jogo dados no infinito,
aflito destino que me cerca,
maldito tempo que resseca a pele.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Boomerang

vai.
te prender é algo que eu não faria.
vem...
eu aceito.

vai,
porque você aqui dói.
vem,
já que você longe dói mais.

vai!
não suporto a indecisão!
vem,
porque a suposição, na sua ausência, me mata aos poucos...

vai.
não te quero mais!
mas...vem,
porque eu não te quero menos...

aceito o vai e vem.

o foda é que desde criança
eu  sempre soube
que boomerangs são capazaes de decapitar pessoas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

o que escorre

Se chove
o cheiro muda
o ar umidece
a rua esvazia
minha boca emudece.

E o novo, de novo,
não sei se quero mais.
O passado é tão mais seguro...

e o que tem em mim de obscuro
eu reinvento.

Pensamento vai
se esvai em asas loucas
conexões absurdas
vozes roucas
frases curtas
vento na pele desmancha o suor
do meu esforço pra esquecer.

Me reinvento sozinha
sem arrependimento.
Me molho da chuva
me escorro com ela...
Arranhando meu corpo no caminho,
as marcas ficam.

Me deixo estar, então.
Que seja!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nerd (era assim que eu te chamava quando não sabia seu nome há 14 anos atrás)

Na minha história
existem fatos que são marcos revolucionários.

Não te quero hoje, nem te quero mais.

Só tenho saudades do que eu já senti por você.

Incrível como dói aceitar o fim do sentimento.
Não dá pra descrever sua importância na minha vida
nem entender o tipo de amor fraternal que você ainda provoca.
Meus poros, porém, já não mais se encaixam nos seus.

sábado, 13 de novembro de 2010

subjetivo concreto

Ah! mas eu vou!
e vou de ônibus...
Essa minha vida vista da janela de um carro,
a rua que eu não conheço mais...
tudo é vulto
e música sem vivência
que toca no meu auto falante quebrado.

Sei lá... hoje eu acordei com uma saudade de mim
e com a vontade mais intensa de todas
de juntar os meus cacos.

Tô quebrada há uns anos já...

As pessoas vêm e sempre vão.
Cada uma delas me constrói e me destrói.
e nem são só elas...

Teci um castelo de sonhos inconscientes,
de fatos conotativos e insensatos
mas tão lúcidos que até então não percebi....

Até um minuto atrás
a lucidez, a meu respeito, não fazia parte de mim...
e eu sei que ela vai embora.

mas, agora, quero gritar pro mundo
que eu, hoje, saio de ônibus.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Histórias de Caroço

Do meu passado
cavei um poço.
Fechado,
lacrado,
sem fosso.

Límpido,
sem merda,
nem cerdas,
nem súbito.
Eterno,
sincero
e único.

E cavei com uma pá de sonho.
De concreto, não tem nada.

Lembranças são aumentadas
por ideais limitados...
A sua imagem formatada
limpa, por mim, de seus defeitos.

E que, assim, permaneça!
Por você não pago o preço
de te chupar até o osso
correndo o risco
de morrer de indigestão
tal qual caroço
de azeitona vomitado
por bêbado de amor
que engoliu o mundo
pra se moldar em favor
do sonho que julgava perfeito...

E eu não te mereço.

Só, mergulhei no ínfimo
do oceano inteiro que é você.
E, sinceramente, não sei
se quero pagar pra ver...
Vai que meu mundo desmorona
e a gente, ao invés de rimar,
se desencontra
se descongestione
e deixe de existir...

e....você,
eu já defini
como único.

Isso eu não quero perder...
Não vou arriscar
pular,
quebrar o pescoço,
me perder feito caroço
de azeitona em boca de banguelo.

O flagelo, por ti, é bom
de certa forma.
Não morro,
não me perco
e não me encontro.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

liberdade

Dar conceito é menosprezar,
é se ater ao mínimo,
reduzir ao ponto de secar
tal qual árvore que nunca existiu mais que broto.
Não deu sombra,
não deu frutos
nem sementes...
nem madeira para simular sonhos em forma de balanço
que fica ali, na família, por gerações...
no galho de  outra árvore...

Hoje, pra mim,
ser livre é arriscar...
e eu sou cativa do meu próprio medo.

Não quero secar agora...
pouco do meu verde não foi visto,
sentido ou percebido nem por mim.
e...eu quero ver a luz,
quero me esconder no escuro
tendo a certeza de ser, de novo, iluminada em seguida.
Quero ter vida,
sorrir de forma sincera
e sem promessas de ser assim pra sempre.
Quero florecer na primavera
sorrir pro mundo em forma de flor,
em cheiro de flor,
com beijo de pétala no vento
e lágrimas de chuva.

Quero deixar de ser cativa do meu medo
e ser cativada pelo meu sonho...

domingo, 3 de outubro de 2010

Vida

Se fosse para descrever o interno de mim
a palavra mais forte seria: VAZIO.

Quando eu estudava física
passei a entender o vazio
e arranjei, pra ele, um sinônimo: VÁCUO.
Lá não tem ar, matéria,
o som não se propaga...

Porém, há pouco descobriu-se que
o vácuo não existe.
Nada no Universo conhecido pelo homem
é totalmente vazio.

E o interno de mim também não é.

Existe um amor imenso,
intenso, eterno e sem dono,
que passeia aqui por dentro
trombando nas paredes celulares,
fluindo no meu sangue,
se renovando em minhas trocas gasosas.

No meu vazio,
as colisões desse amor ecoam.
Às vezes machucam,
às vezes preenchem fendas.
Às  vezes ele serve como anti-séptico
e, às vezes, queima, gela, acalenta, tumultua...

De tão imenso,
nem o vazio do interno de mim
impede que esse meu amor flutuante,
viajante, fluido, barulhento,
saia pelos poros,
extravase minha derme,
se molhe do meu suor
e atinja um vazio alheio.

Já dividi esse amor...
mas a impressão que tenho
é que ele faz mitose,
que ele seja um hibrido
de reprodução ora assexuada, ora sexuada
e prazerosa!...

Dominar esse meu vazio,
até agora, foi impossível pra mim
e pra qualquer outro ser que, dele,
provou, cheirou, comeu saboreando...
um pouco do imenso amor que, nele, mora.

Antes,
busquei esvaziar, de fato, esse  interno de mim,
mas, a ausência do vácuo no Universo
me fez perceber que
tudo o que eu mais quero
é ocupar meu vazio
com o seu vazio
     E, você, eu ainda não conheço,
     ou ainda não percebo.
     De você, virá um mutualismo
     o único possível a este híbrido
     dinâmico, fluido,
     limpo, profano,
     sagrado e até inerte.
     Que mora em mim,
     que dói em mim,
     que me move,
     me alimenta,
     me completa,
     me inventa,
     me dá vida.

Origem

Detesto seu cheiro.
Ele me dá nojo, medo, dor...
A única coisa boa, sua, que tenho
é um violão.

Só que sinto seu cheiro o tempo todo,
esse cheiro ruim, podre.
E sinto mesmo estando meses sem te ver
e, hoje, perdi o rumo ao perceber
que esse seu cheiro está em mim.

Sou parte de você.

Talvez eu tenha herdado o seu pior.
                                           Com exceção deste violão.

Ao mesmo tempo que  te odeio,
quero te ver...
Preciso saber se você ainda respira,
porque, mesmo de longe, sinto sua dor.
Lembro seu odor...
Percebo que sou suja,
porque sou parte de você, podre de você.

E o mais foda disso tudo
é que eu te amo, pai.



(escrito em agosto de 2008...e a dor, hoje, é idêntica)

Você

Paradoxo?
Antítese?
Cálida.
Gélida.
Tímida.
Atriz.
Amiga.
Vilã.
Doce.
Amarga.
Intensa.
Superficial.
Profunda.
Efêmera...
Pequena...
Grande..
Eterna pra mim.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Palavras de lágrimas

Em vários momentos da vida,
tive dores reais.

Doeu quando levei uma pedrada no pé
de uma briga que nem era minha...
Doeu também quando bati a cabeça
na trave do gol e desacordei.
E doeu quando quebrou a garrafa de vidro
em cima do meu anelar da mão esquerda...
Foi assim também quando o Bóris, meu cachorro, fugiu...
E foi árduamente doloroso quando pessoas especiais,
pra mim, morreram.

Hoje eu não sangro por fora.
Ninguém morreu,
ninguém fugiu...

Mas dói...
dói como se tudo se quebrasse aqui dentro...
como se tudo se misturasse...ácido e base.
De neutro, hoje, aqui dentro, não tem nada...

Dói como se um dementador sugasse minha alegria,
meu passado feliz...
Dói como se o mundo desse cabeçadas em mim
e toda dor de amor se concentrasse
e fluísse em minhas veias...

Dói como se não fosse passar,
como se fôsse numa solitária
com perímetro de pregos,
cheiro de vômito,
e veneno de tarântula,
tudo em um metro quadrado,
sem janela.

Porém...como me sinto egoísta!!
Vai..não vou falar dessa dor,
não posso dividir meu erro
e perpetuá-lo na memória de mais alguém.

Vai...
porque minha dor vai passar
e espero que, com ela,
meu amor também se vá.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

acertando as contas...

e se eu digo que te quero
é um querer que extrapola os poros,
a pele, o toque.

quero o seu todo.
o que você respira,
o que te alimenta,
o que te permite sonhar...

quero te permitir me ler,
te permitir me ter
além dos meus poros.

falta só você pagar pra ver...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Existem coisas que nunca mudam na vida de uma mulher como eu:

Sentir  o gosto do seu beijo
toda vez que alguém passa perto
com o cheiro do seu perfume
fazendo curva no vento.

Olhar pro lado,
perdida em lembranças eternas
toda vez que  alguém pronuncia
um mesmo nome que o seu.

Comparar todo frio na barriga
com a era glacial que você me fez sentir
quando eu ainda acreditava na possibilidade
de sermos felizes...juntos.

Afirmar pro mundo que não te amo mais
e já esperar olhares e sorrisos incrédulos.

Porém...
O que eles não sabem
é que, pra uma mulher como eu
você não passa
de pegadas em trilha de areia
que se desmancham com sopros.

E eu amo sim...
amo o que eu sentia por você.
E sinto saudade é disso.

Cada margarida que vejo na trilha
é uma pegada sua que se demora mais em se esvair.

Vi uma hoje.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sussurro

Você me pede em casamento
e eu sei que é só por um dia...
Em 24 horas: flerte, namoro,
casório, lua-de-mel e divórcio.

E aceito assim
desde que assim seja
todo dia.

Ainda quero viver um dia todo com você.

Café da manhã, beijinho...
Almoço, desenho animado na tarde,
jantar, com vinho,
café e cama, com o Sol do dia seguinte,
anunciando o fim da noite sem sono
que dividimos a sós.

Suor, pele, carinho...

Respiração, poros,
caminho tateado por lábios...

Anseio dormir no teu colo.
Beijar tua nuca
até me perder nos teus cabelos.

Amiga, amante, confidente, ouvinte, mulher...
assim sou tua...
Caso com você quando quiser!
Desde que seja por um dia...
e no outro também.

Sem planos,
me permito ser com você.
Ser menina, criança...
Ser tua
ainda que supostamente...

Me alimente
desse teu sorriso apaixonante!
Dessa tua presença inebriante...

Te deixo, hoje, um sussurro em forma de música:

video

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Declaração de amor morto

Meus olhos falam.
Gritam o desconexo,
complexo, inconstante
constantemente interno...
e não mentem.

Meu tato me traduz.
Sou desejo inconcluso,
difuso, confuso
e eterno.

Minha boca pendendo um sorriso torto
canta, em silêncio,
a tradução do grito...
o sufoco aflito
do meu amor morto.

Acredito no infinto, porém.
no eterno...no ciclo.
E...ainda que não seja agora,
será,
seremos,
somos,
já fomos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pequena

Raiva não é palavra apropriada para o que me assola no momento.

Não sinto raiva de você,
nem sinto raiva de mim.

Hoje calcei um salto
e me senti pequena.
Compreendi, sem dó nem ressalvas,
que um amor tão grande quanto o meu
pouco significa se ele não se reflete num espelho.

A imagem do espelho não é idêntica,
mas encaixa,
combina, é sincrônica.

De que me serve um amor tão grande
se, racionalmente, pra mim, ele é péssimo?
Me corrói um pouco a cada dia,
destrói minha esperança,
me arranca o otimismo,
me entrega ao ostracismo.

De que te serve ter esse amor tão grande
se o que você reflete o ofusca?
se seus poros não suportam, desse amor, sua expressão?
se sua lógica divaga,
pudor, amor, perversão...

Me senti pequena...
O amor que te tenho me estrapola...
Está nas músicas que ouço,
no gosto da pimenta do almoço,
numa placa de caminhão,
nos meus olhos que se perdem no firmamento
buscando, achar ali, seu pensamento.

O amor que te tenho
está extra-pele...
no vento que me lembra o movimento do teu corpo,
na filosofia que me traz a falta do seu discurso,
nos sonhos pueris que lembro enxergar através dos seus olhos.

Por ser pequena,
me perco.

Antes te achar, do que me achar.

Sou sua.
Toma posse!
Eu deixo..
eu quero!
e..junto,
crescerei com você.

sábado, 7 de agosto de 2010

O corpo se satisfaz de tesão, não de promessas.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Falando de perda e luto

Não é a primeira vez que escrevo sobre a nostalgia em relação aos meus treze anos.
Foi ano que tive a pior perda da minha vida. Insuperável.
Foi o ano que amei com todo o amor que eu podia ter sem medo de dar a alguém.
Também supus ter as melhores e inseparáveis amigas,
bem como a segurança de um lar.

Fui segura.
Nunca fui tão mulher, tão personalidade forte quanto em 1999.
E eu tinha 13 anos.

Digo que a perda foi insupeável no sentido de que nada,
nada que eu perca agora ou que eu tenha perdido antes
se compara à perda da minha mãe avó.
A dor...eu superei.
Depois disso, nada me mata mais por dentro.
É claro que existem coisas e pessoas que me maltratam,
me deixam de mal comigo e com o mundo alguns dias...
mas nada conseguirá me matar por dentro.

Naquele ano me tornei fênix.

Os motivos são simples para isso ter acontecido.
A única certeza que se confirmou, foi a da perda insuperável.

O ano passou
e eu não amei.
não tinha amigas.
e minha família... (reticências infinitas para isso...)

E a fênix que voava, se queimou.

Ressurgiu ressequida.
Viva, mas insegura de si.

Me liberto e me perco nos meus vôos.
Fênix com alma de borboleta...
vôa só...
beija algumas flores...
se reflete em olhares abestalhados.

O azul e a infinidade do céu.

O poder do fogo, do ar
e os pés na Terra querendo fugir.

Falar de luto e perda e repensar o cotidiano.

A principal diferença da mulher que sou, pra mulher que fui aos 13,
é que naquela época, a mulher vivia em uma menina otimista, sem medo,
sem evitar o ridículo.

Hoje sou uma menina que vive em uma mulher,
queimada por fora,
encouraçada,
semi-pessimista
e só...
sozinha rodeada de muitas pessoas que julgam ser meus queridos...

Viver é um teatro.

Minha cena de hoje se mistura com loucura, crença, descrença, pessimismo e nostalgia.

Acho que vou comer um chocolate.

Pedido

Não sei o que você tem
que me faz querer te ver,
te ouvir,
em um raio de quilômetros.

Talvez seja seu sorriso largo,
espontâneo,
presente nos seus olhos.
Talvez,
sejam esses olhos que, rindo,
me escondem um mundo...

Pode até mesmo ser essa suposta força
que, misteriosamente,
pede uma mão pra caminhar junto.

Eu,
com meus defeitos,
pileques,
insanidades inconsequentes...
Com meu sorriso,
meu abraço e meu cheiro...
Espero que me permita ter você.

Espero abraçar,
me perder da tristeza
quando te encontrar.

Espero ser em noite de lua cheia,
pra fazer do céu
canção pontuada de estrela.

Espero
me deixar ser criança com você,
brincar,
correr,
rolar...

Também quero ser sua mulher
traduzida em tato,
beijo
e suor.

Só te peço para não fugir
antes de voar comigo pela primeira vez.

"Vamos viver tudo que há pra viver...
Vamos nos permitir..."

terça-feira, 13 de julho de 2010

Calor de noite fria

Noite fria...
Blusa de gola aquece teu pescoço,
o rubor do frio ataca teu rosto
e eu, me entregando à uma sutil imaginação,
rompo a distância que nos separa

pra te tocar.

Noite fria...
e eu queria ser o vento que, teu rosto, toca...
queria ser a gola que envolve tua nuca...
a blusa que te abraça,
a calça que te esquenta
e a meia que beija teus pés.

Te permitiria se vestir de mim.
Se aquecer de mim,
se cobrir de mim,
suar comigo.

O vento em teu rosto - minhas mãos,
passeando, se emaranhando em cabelos.
A gola da tua blusa - minha língua,
apoiada em lábios quentes
que, de tão quentes,
entorpecem
e arrepiam.

Tua blusa - meus seios,
num tocar de peles macias
que, por si só, se envolvem.

Tuas calças...
Coxa minha,
calor entre as coxas minhas,
meu suor no seu.

Beijo teus pés com os meus,
anunciando que,
o que aquece nuca tua,
caminhará por você...nua.
até a sola dos teus pés alcançar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Meu norte em movimento

Seu jeito...
possui um perfeito encaixe com o meu,
como mão e luva,
fogueira no breu.

Seus olhos...
aos meus, emitem e refletem
brilho intenso,
disfarçando a fuga, dos meus, pra sua boca.

Dela sai o sorriso mais delicioso que presenciei,
que confundiu meus sentidos...
Não sei se ouço, vejo ou sinto.
Ao seu lado eu sou mais eu,
minha pluralidade volta à tona,
sou menina, moleca, mulher...
sou sua...e sou muito mais minha.

Aos poucos me desfaço das amarras,
me liberto pra você.
Temo, no entanto, a perda do meu bom senso,
uma tomada de cegueira e amnésia
em relação aos seus sentidos...que são dela.

Mistura seu destino com o meu...
Permita minha liberdade misturar na sua
e eu quero ser sua,
te ver voar tendo a certeza que meu sorriso espera seu pouso,
que meu abraço é seu,
que meu desejo é seu...

Parece que meus sonhos desenharam você pra mim.

Hoje, eu só quero que os seus sonhos não me acordem.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dia de chuva, sem chover

Precisava de chuva hoje.

de cheirar chuva
me molhar nela
me lavar, me levar...

Talvez, assim, meu olfato esqueceria seu cheiro,
minha pele não mais desenharia seu tato
e, na minha lembrança recente,
ficaria o som da chuva
e não o barulho sutil do vento em suas pálpebras.

O que dói não é seu desprezo.
Não espero te ter de novo.
Acabou.

Dói, no entanto, lembrar você...
lembrar seu sorriso,
seu gosto,
ler mafalda no seu colo,
te chamar de insuportável
(eu sempre tentei fugir do que eu sentia,
nunca suportei pensar tanto em você).

Dói lembrar das conversas de meias frases
que diziam tudo de uma vida inteira.
Lembrar seu beijo naquele dia
em que levei chuva pra esse deserto onde você mora.

Hoje tenho um nó na garganta.
Engoli todas as lágrimas que quiseram cair.
Engoli litros.

Não saberei fingir
que sou sua amiga sem lembrar,
sem te abraçar como aquela despedida de rodoviária.

A partir de agora,
cada estada com você é um cigarro novo.
Receio poder me acalmar,
me engasgar
ou me matar.

Preciso de chuva hoje.
Apagar de vez as cinzas
do dia que resolvi queimar nossa história,
do dia que resolvi fingir ser forte ao te perder.

Depois de mais esse devaneio,
o nó em minha gargaanta começa a se desfazer...
Lágrima molha a boca que adorava respirar na sua.

Hora de dormir,
apagar as luzes
e chorar de saudade de você.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

(in) constância

Se minha vida, de fato, é um ciclo,
hoje seria o dia de queimar todos os meus devaneios.
O mundo, no entanto, está cada vez mais globalizado
e, queimar devaneios e te manter em redes sociais,
não é queimar você em mim.

E eu tenho cicatriz de apenas uma queimadura passada,
porém, ela não me incomoda...está escondida,
é totalmente indolor...
Acontece de, às vezes, meus olhos trombarem com ela
e eu, por um lapso de instante,
considerar a existência "dele".

Hoje me permito às comparações,
pois são as experiências que mais se parecem na minha vida.
Não cabe a mim decidir não mais senti-las por outros,
mas não irei repeti-las com os mesmos.

Da primeira, me curei.
A segunda...a cura virá em menos tempo!
Sei pelos sinais...
Aprendi a perceber quando meu pensamento começa
a vagar em outro território de possibilidades.

Me conheço mais agora
e, como diria Renato Russo:

"nada é fácil, nada é certo
não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto.
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero.
e queremos fugir...
mas ficamos sempre sem saber.
Teu olhar não conta mais histórias
não brota o fruto e nem a flor.
e nem o céu é belo e prateado
E O QUE EU ERA, EU NÃO SOU MAIS
e não tenho nada pra lembrar...
(...)acho que sempre lhe amarei
só que não lhe quero mais.
Não é desejo,
nem é saudade.
Sinceramente...
nem é verdade."


e é isso.
Se quero ser constante (quer dizer que não sou),
amanhã mudarei o discurso.

Preparar para a despedida (tô no ritmo de festa junina...rs)

As músicas são as mesmas
e o incenso também.

A diferença são as lágrimas
que resolveram não aparecer hoje.
Apesar do aperto no peito,
o que dói é algo que está por partir.

O sentimento é o mesmo de doze anos atrás,
mas a pessoa é diferente
e minha maturidade também.
A paciência, no entanto, não é mais confundida com esperança
e o desafio é deixar você ir.

Vai.
Não preciso mais de você.

Se o motivo de estar na minha vida
era ter em quem pensar antes de dormir,
o palco dos meus sonhos,hoje, tem vários personagens
e estou prestes a eleger outro como principal.

Sim...eu vou dirigir toda a cena agora.
Luz
Câmera
Tchau.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Liih

É na madrugada que me esccondo.
Me escondo de mim,
dos medos,
dos sonhos.

Hoje você me encontrou
e ainda que eu tente me encobrir
foi no seu sorriso que me achei..
mas me perdi no seu olhar.

Uma das coisas que, às vezes, penso que não deveria existir
é a distância...
Mesmo temperando os sonhos,
ela provoca o engasgar do desejo,
o restringe à especulação..

Mas hoje te li nas entrelinhas
no trepidar dos seus cílios
na ambiguidade discreta
de sua língua.

Já te quero.
simples assim.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sua

O problema, acho,
são meus sonhos...
Me perco neles e esqueço que você é real.

Sim. Eu beijei sua boca,
me perdi na sua língua,
escorreguei no seu tato,
confundi o vento com seu cheiro
e a umidade do ar com seu suor...

É...
enlouqueci com o reflexo do seu sorriso nos meus olhos
e com a cor dos seus olhos brilhando nos meus...

Amo essa sua essência...
ela me inebria, me confunde e me encanta.
Enxergo uma criança frágil,
pro trás de toda essa firmeza,
tem alguém que se perde em si,
se perde no mundo, nas escolhas..
só não se perde e nem se encontra em mim.

Tá aí o problema dos meus sonhos.
Você é mesmo real...
mas não me quer,

apesar de me ter.

domingo, 23 de maio de 2010

Now...

Estou deixando que você adormeça
e que fique, pra mim,
só lembrança,
só saudade;
e que sua presença, a partir de então,
seja exatamente como algo que dorme.

Ainda não dormiu,
mas estou deixando que adormeça.

Só não sei quanto tempo isso vai levar,
nem quanto vai durar...
nem sei se gostaria de te ver acordar um dia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

nós

Uma imagem que me marcou hoje
foi sua cadeira vazia,
com seu violão, solto,
ao lado.

essa imagem se congelou,
pra mim,
e me trouxe vários significados.

Mesmo sem sua presença
sei que o espaço é seu.

E o violão solto, mudo,
me dizia só com a existência,
que num passado recente,
esteve no meu colo...

Você, sem emitir um som sequer,
me deixa palavras soltas com o olhar...
são soltas pra você e pra mim.
às vezes com significados obscuros.

Não sei se suas lágrimas foram por mim,
por você
ou por ela.

mesmo com caneta de quadro branco,
essa tatuagem, em mim,
será eterna.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Da distância

Tenho pensado no significado da distância entre nós.

Ela é perfeita. Pra você e pra mim.

Não me assumo, nem a mim, muito menos assumo o que sinto por você!
Assim, a distância mantem o controle,
não deixa eu me perder,
me impede de gritar pro mundo a intensidade de... de tudo isso.

Você e sua suposta autosuficiência,
a distância também mantem.
Perto de mim, talvez, se tornaria frágil...
Já assumiu que acertei quanto aos seus medos.
Não custaria, pra mim, identificar o vulnerabilidade atrás desses olhos...

Seus olhos!
Meu maior pesar da distância
é não vê-los além do plano virtual escuro.
Sentindo seu hálito
eu costumo fugir deles...
Medo.

Tenho medo de me entregar e acabar.
Pelo menos assim, a gente se mantem.
Distante.
Mas se mantem...

Eu te acordo e você cuida de mim.
Eu te faço rir...e você, ah...você faz por mim, e comigo,
coisas que nem eu mesma saberia descrever!

negação

De forma consciente, eu não te amo não.

Cada suspiro é de lembrança...
Lembro seu sorriso,
seu cheiro que varia de acordo com o sabonete do banheiro,
mas em você, é peculiar, sutil e maravilhoso!
Lembro seus olhos
e seu olhar em mim,
me fazendo tantas perguntas,
e todos os meus receios em respondê-las...

Lembro nossas conversas em silêncio...
e eu entendo tudo o que me diz assim...
acho que você finge que não, mas sabe tudo o que digo
quando olho pra você.

Lembro nosso beijo com chuva.
O colo que você sabe me dar...
E, tem razão...com você eu sou pequena...
me aninho perfeitamente em seus braços,
como se eles fossem feitos para me caber.

Cada suspiro, dói e arranca risos de canto de boca.
Reparou que temos manias semelhantes?
Nossas bocas combinam no riso de lado,
no toque entre ambas,
e no trancar ao pensar em dizer a verdade do que sentimos um pelo outro.

Sim, troco os artigos quando escrevo devaneios sobre você.

Fujo de mim quando o suspiro me faz pensar na possibilidade de sentir amor por você.

Mas...de forma consciente, não! Eu não te amo não!
É só um lapso que, no momento, não me permite voar pra longe
e me aninhar em outro colo,
outro cheiro,
outros lábios...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

escola administrativa

Voltei à época da produção industrial de devaneios...
em larga escala.
escrevo todo dia,
as palavras, praticamente, se misturam nas esteiras
num sistema just in time.

Você pede e eu escrevo.

Seus pedidos não são explícitos,
nem sempre se vestem de pedidos...

E eu tenho me vestido de você.
Coloco seu sorriso na memória e me maqueio pra te ver.
lembro seu tato e me hidrato.
Seus dentes mordem seus lábios, eu surjo com um vestido e um decote.

Você nem tá aqui perto pra ver,
mas me visto de e para você.

Tentando fugir da comparação inevitável,
quando eu escrevia assim?
quando julguei amar, de fato.
quando julguei ser eterno e único
um sentimento que até durou anos...
mas não era por você!

Daí você vem...

Cabeça gira nas esteiras de palavras.
memória viaja no seu beijo;
na lembrança da sua nuca na minha boca;
de um abraço de despedida sem querer fim;
de um bilhete escondido na minha bolsa;
da minha gaita recebendo sua saliva;
da minha voz no seu violão...
da indecência escancarada da sua língua em mim!

Vontade de me teletransportar..
dividir esse frio com você...
cobertor, TV e sono.
concha.
cheiro...

saudade aperta aqui.
olho lacrimeja...

é! sou mesmo uma baranga sensível!
mas, produzo amor por você...em larga escala, em tempo hábil e sob medida.
não jogue fora ou crie uma crise de superprodução!
Não terei capital suficiente pra recomeçar...
de novo, não!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tenso...

Ou...
Puta que pariu!
é...merece palavrão!
me peguei babando no seu sorriso pela web...
posso me enganar, mas seu olho brilhava enquanto eu babava!
te gosto "little"...e é muito, viu?
e te quero também.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

estrela?

O cúmulo da esperança
é fazer pedido pra avião
fingindo ser estrela cadente.
É...fiz isso hoje...
coisa que nem criança faz(suponho).

Talvez eu não queira revelar o que pedi.
Mas..se não, por que estaria escrevendo?
Pra provar que sei rimar?
Não...desta vez não me importa a rima,
muito menos a métrica...

Me importa a ibecilidade da situação:
eu, pedindo ao rastro do avião
pra não tirar você daqui.

Esse "aqui" não é necessariamente o espaço
mas o tempo.
No espaço estamos longe...
No entanto o tempo a gente tem dividido..mais do que com quem tá perto...
Sinto que me perderei longe da distância, que diminui quando passo o tempo com você.
Isso é antecipar...
e, foi por antecipar que pedi ao avião!

Isso deve ser coisa de pós modernidade!
Pena que o avião já foi...
Agora, me peguei pedindo a mim mesma que acredite
que um dia te farei sentir
que a luz de uma estrela só tem sentido, se olharmos e tivermos alguém pra pensar...
que coração só existe quando guarda outro.
que olhos só brilham pra refletir um sorriso...
que barriga só esfria prestes a se esquentar em outra barriga gelada.

Mesmo que exista a fuga,
por mais que a intensidade do amor varie...
é amor.
estranho amor.

e quando o amor é normal?
o desvio padrão dessa curva nunca é padrão.

ainda que sob um viés fraterno,
pedi ao avião que você me amasse.

pedi, também, um outro beijo...
e..tem mais...
pedi pra te sentir tremer ao me ver de novo...sei que isso aconteceu da última vez, ainda que você negue.
Pedi pra sentir uma mão ansiosa, suada e perdida debaixo de uma mesa, tateando meu tato.

e pedi, ainda, a indecência sutil de um beijo no quadril...

Queria te por no colo...por trás dessa "pequena" braveza, queria poder te dar colo, carinho e beijo...
isso te enjoaria rápido, mas me disponho a dar em doses homeopáticas, pra você sentir falta...tais doses poderiam durar nanosegundos, mas não deixariam de acontecer...

Queria poder invadir sua intimidade com minha língua...
tantas e quantas vezes o desejo permitir,
despudorado desejo!
Te quero...

E sei que todo o furor dessas palavras pode provocar uma ausência:
sua de mim
ou sua de si mesmo
ou talvez até minha de mim mesma!

Não pense você que as coisas não me assustam!
Acho que (respondendo a uma pergunta sua) minhas cores são de Almodóvar.
Intensas e sutis
Eternas e fulgazes
Roubam a cena, têm presença...
mas podem se acabar em duas horas,
ainda que numa tela grande.
Mas o melhor...elas têm movimento.

Minha inconstância é assim...

O problema é que essas duas horas ficam na memória
e adoro lembrar
toda vez que lembro, sinto.

te sinto assim também.

eu gosto das lembranças...
de poucas horas.

não espero futuro...
apesar de pedir ao avião!
Mas...a esperança é de que as coisas se repitam,
não que se eternizem no tempo concreto do cotidiano de uma vida.

Me satisfarei de lembranças...
estas não amarram.

A luz de uma estrela permanece depois da sua morte;
e é vista, ainda que não exista, é sentida...

eu sinto.

sábado, 3 de abril de 2010

Depoimento (em off) no orkut

Disgramado! rs
Cada dia não sei se agradeço ou brigo com Deus por te colocar no meu caminho...
Não te deixo definir, em mim, nem cores, nem nada.
Me deixei perder...
Na verdade, eu tô fugindo de mim e do que eu sinto por você.
Ainda não parei pra definir o que sinto, nem quero isso!
Eu só queria gostar de você como mais um bom amigo...(doce ilusão)!
te gosto como homem.
...e acho que te amo.

(mas a gente pode amar os amigos. essa é minha esperança)

sábado, 27 de março de 2010

Mas que belleza (de ironia...)

Não tenho você e não tenho tempo.
Dou graças por isso.
Imagino que se tivesse tempo, sem você,
minha dor aumentaria ao cubo
e várias tentativas minhas morreriam em não.

E se eu tivesse você sem tempo,
putz!
tortura...ter sem ter.

Não tenho você e não tenho tempo.
Ainda assim me acabo um pouco todo dia
na lembrança do tato dos seus lábios na minha pele...

Meu querer é todo seu.
Minha noite morre em breu
cada vez que percebo o vazio que dorme comigo.
Eu o percebo todo dia...
e não tenho tempo.

Não ter você dói.
Te quero; com um querer abominável e desesperador,
mas que se transforma em acalento e amor quando se desfaz nos teus braços.

Não tenho você
e não tenho tempo.
Assim,
vou me desfazendo aos poucos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O pior da vida é desejar loucamente aquilo que não se quer.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

decantando

Eu acho que, agora, queria compor uma música pra você.
Bem...nem sei se seria mesmo pra você,
talvez, seria sobre mim e o que de mim é seu.

Eu poderia, agora, escrever um poema
com métrica, rima e muito amor nas entrelinhas;
mas..falar de mim quando eu me misturo com você, não parece simétrico,
não parece possível,
não parece bonito,
e nos desaparecemos entre as linhas...

Na verdade, o que eu quero agora é você.
Sujo,
insano,
impuro,
injusto,
indigno.
Adjetivos que estão por trás do que você se revela, pela própria fala que te descreve.

Foi bom ler isto?
Te trouxe conforto?
Se sim...vou dar um jeito de te esquecer.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

novo?

Retumba, em mim, soluços de choro.
Não sei se de alívio ou de agonia.
Quando começo a escrever assim,
até eu tenho preguiça...
drama?
novo?
de novo?

Pior...é que acho que agora é novo sim.

Me apaixonei por você.
e as convenções proibem...

lembro sua boca, nosso beijo...
e uma saudade doída bate aqui dentro!

Noite de lua cheia e eu querendo ver tudo claro com você...
lá de cima.

Cresça comigo.
Abandone esse seu medo...
Você briga, nega,
mas morre de medo.
Às vezes acho que de mim..
outras penso que é de você.

Sei que guardas algo
lindo, puro
Penso, porém, que nada disso me pertence.

e eu acho que amo você.
e isso dói.
as regras não permitem
e você me nega.

Ninguém nunca me tocou assim.
internamente
literalmente
inteiramente

Drama?
mas este é novo.

Pretendo andar de escudos por você.

Ainda vamos voar "together".