quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dia de chuva, sem chover

Precisava de chuva hoje.

de cheirar chuva
me molhar nela
me lavar, me levar...

Talvez, assim, meu olfato esqueceria seu cheiro,
minha pele não mais desenharia seu tato
e, na minha lembrança recente,
ficaria o som da chuva
e não o barulho sutil do vento em suas pálpebras.

O que dói não é seu desprezo.
Não espero te ter de novo.
Acabou.

Dói, no entanto, lembrar você...
lembrar seu sorriso,
seu gosto,
ler mafalda no seu colo,
te chamar de insuportável
(eu sempre tentei fugir do que eu sentia,
nunca suportei pensar tanto em você).

Dói lembrar das conversas de meias frases
que diziam tudo de uma vida inteira.
Lembrar seu beijo naquele dia
em que levei chuva pra esse deserto onde você mora.

Hoje tenho um nó na garganta.
Engoli todas as lágrimas que quiseram cair.
Engoli litros.

Não saberei fingir
que sou sua amiga sem lembrar,
sem te abraçar como aquela despedida de rodoviária.

A partir de agora,
cada estada com você é um cigarro novo.
Receio poder me acalmar,
me engasgar
ou me matar.

Preciso de chuva hoje.
Apagar de vez as cinzas
do dia que resolvi queimar nossa história,
do dia que resolvi fingir ser forte ao te perder.

Depois de mais esse devaneio,
o nó em minha gargaanta começa a se desfazer...
Lágrima molha a boca que adorava respirar na sua.

Hora de dormir,
apagar as luzes
e chorar de saudade de você.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

(in) constância

Se minha vida, de fato, é um ciclo,
hoje seria o dia de queimar todos os meus devaneios.
O mundo, no entanto, está cada vez mais globalizado
e, queimar devaneios e te manter em redes sociais,
não é queimar você em mim.

E eu tenho cicatriz de apenas uma queimadura passada,
porém, ela não me incomoda...está escondida,
é totalmente indolor...
Acontece de, às vezes, meus olhos trombarem com ela
e eu, por um lapso de instante,
considerar a existência "dele".

Hoje me permito às comparações,
pois são as experiências que mais se parecem na minha vida.
Não cabe a mim decidir não mais senti-las por outros,
mas não irei repeti-las com os mesmos.

Da primeira, me curei.
A segunda...a cura virá em menos tempo!
Sei pelos sinais...
Aprendi a perceber quando meu pensamento começa
a vagar em outro território de possibilidades.

Me conheço mais agora
e, como diria Renato Russo:

"nada é fácil, nada é certo
não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto.
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero.
e queremos fugir...
mas ficamos sempre sem saber.
Teu olhar não conta mais histórias
não brota o fruto e nem a flor.
e nem o céu é belo e prateado
E O QUE EU ERA, EU NÃO SOU MAIS
e não tenho nada pra lembrar...
(...)acho que sempre lhe amarei
só que não lhe quero mais.
Não é desejo,
nem é saudade.
Sinceramente...
nem é verdade."


e é isso.
Se quero ser constante (quer dizer que não sou),
amanhã mudarei o discurso.

Preparar para a despedida (tô no ritmo de festa junina...rs)

As músicas são as mesmas
e o incenso também.

A diferença são as lágrimas
que resolveram não aparecer hoje.
Apesar do aperto no peito,
o que dói é algo que está por partir.

O sentimento é o mesmo de doze anos atrás,
mas a pessoa é diferente
e minha maturidade também.
A paciência, no entanto, não é mais confundida com esperança
e o desafio é deixar você ir.

Vai.
Não preciso mais de você.

Se o motivo de estar na minha vida
era ter em quem pensar antes de dormir,
o palco dos meus sonhos,hoje, tem vários personagens
e estou prestes a eleger outro como principal.

Sim...eu vou dirigir toda a cena agora.
Luz
Câmera
Tchau.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Liih

É na madrugada que me esccondo.
Me escondo de mim,
dos medos,
dos sonhos.

Hoje você me encontrou
e ainda que eu tente me encobrir
foi no seu sorriso que me achei..
mas me perdi no seu olhar.

Uma das coisas que, às vezes, penso que não deveria existir
é a distância...
Mesmo temperando os sonhos,
ela provoca o engasgar do desejo,
o restringe à especulação..

Mas hoje te li nas entrelinhas
no trepidar dos seus cílios
na ambiguidade discreta
de sua língua.

Já te quero.
simples assim.