domingo, 3 de outubro de 2010

Vida

Se fosse para descrever o interno de mim
a palavra mais forte seria: VAZIO.

Quando eu estudava física
passei a entender o vazio
e arranjei, pra ele, um sinônimo: VÁCUO.
Lá não tem ar, matéria,
o som não se propaga...

Porém, há pouco descobriu-se que
o vácuo não existe.
Nada no Universo conhecido pelo homem
é totalmente vazio.

E o interno de mim também não é.

Existe um amor imenso,
intenso, eterno e sem dono,
que passeia aqui por dentro
trombando nas paredes celulares,
fluindo no meu sangue,
se renovando em minhas trocas gasosas.

No meu vazio,
as colisões desse amor ecoam.
Às vezes machucam,
às vezes preenchem fendas.
Às  vezes ele serve como anti-séptico
e, às vezes, queima, gela, acalenta, tumultua...

De tão imenso,
nem o vazio do interno de mim
impede que esse meu amor flutuante,
viajante, fluido, barulhento,
saia pelos poros,
extravase minha derme,
se molhe do meu suor
e atinja um vazio alheio.

Já dividi esse amor...
mas a impressão que tenho
é que ele faz mitose,
que ele seja um hibrido
de reprodução ora assexuada, ora sexuada
e prazerosa!...

Dominar esse meu vazio,
até agora, foi impossível pra mim
e pra qualquer outro ser que, dele,
provou, cheirou, comeu saboreando...
um pouco do imenso amor que, nele, mora.

Antes,
busquei esvaziar, de fato, esse  interno de mim,
mas, a ausência do vácuo no Universo
me fez perceber que
tudo o que eu mais quero
é ocupar meu vazio
com o seu vazio
     E, você, eu ainda não conheço,
     ou ainda não percebo.
     De você, virá um mutualismo
     o único possível a este híbrido
     dinâmico, fluido,
     limpo, profano,
     sagrado e até inerte.
     Que mora em mim,
     que dói em mim,
     que me move,
     me alimenta,
     me completa,
     me inventa,
     me dá vida.

Nenhum comentário: