quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

nexo?

Beijo de pétala?
nem foi bem assim...
porém, sua boca...
ah!
sua boca!
hummm
sua boca...
putz!
que boca!

Minha redundância expressa
o fato de eu me perder
cada vez que te beijei
e a cada vez que lembro...

Nosso beijo é reticência perfeita

Alice Ayres

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

da definição do não amor

Alice Ayres


Toda matéria possui uma certa força de atração.
O gosto por um corpo pode ser momentâneo
e o gozo instantâneo, mas efêmero.
O amor não.
O amor não é atraído.
Ele flui,
acontece...envelhece com o corpo
e não morre.

20 de novembro

Alice Ayres


pois é...
passou.
tô viva!
e nem te liguei!
parabéns! pra você??
não!
parabéns pra mim!
dia 27 será a missa.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Putz...

Alice Ayres


Minha indecisão não se pontua
no amor que sinto por você
nem na falta que sinto
na presença de tua ausência

Minha dúvida não se baseia
em incertezas de te querer para sempre
em morar
e dormir, todos os dias, com você.

Se eu assumir você,
casa minha
será rua.

A indecisão se pontua, portanto,
no fato de ser ou não lícito
ter e amar você.

Aqui, posso gritar pro mundo:
já te tenho!
e te amo...
como amo...

A base da dúvida
está na extensão deste grito.
Acho que ele é só nosso.
Ele balança a minha subjetividade que, hoje,
se enrosca na sua.

Meu céu é você. Mas...no escuro.
Sem luzes,
nem de holofotes,
nem de refletores.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dual

Há três anos
eu reclamava da rotina medíocre,
monótona e insaciável de revolta
em que eu vivia.
Endeusava a loucura,
a insensatez,
a lucidez obscura de ações irresponsáves.

Enlouqueci no limite - se é que isso existe.
Fui insana sem perder a "compostura".
Como?
Para uns, ainda sou santa...
exemplo de vida, força, garra e razão.

Para outros...
sou o exemplo da hipocrisa ridícula
da civilização ocidental.
A loucura me domina
e o teatro me revela.

Para mim??

Tô pedindo socorro.
Não quero me definir...
Preciso me definir?

Cada lágrima que cai
dói.
Se não existir definição
que aconteça, no mínimo, uma aceitação.
Minha aceitação.

Copiando uma banda que eu não gosto: "o inferno são os outros".

e...no momento, meu céu é você.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sensação

aguçar os meus sentidos é algo
que você tem feito diariamente.

Apesar de te tocar uma única vez,
o tato dos seus lábios nos meus
é o que recordo e me faço acreditar.

A lembrança do seu cheiro me arrepia.

Seu gosto apurou meu paladar,
agora, não é qualquer coisa que me agrada.
Sabor único...

Ouvir você...
seu sorriso...
faz com que meus ouvidos me transmitam
paz
confiança.

mas...
olhar você, às vezes, me desespera.
não é fácil fingir...
não tenho vontade de fugir...
já faz parte de mim.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

putz...
que beijo foi esse...!?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Gosto de outubro.
A chuva me lembra a dor
de algo que senti (passado)
É bom lembrar disso,
do fim.
E a chuva...leva o que não se agrega
o que não se firma...
preparando o espaço para o novo,
que simplesmente chegará,
ou que irei construir.

Alice Ayres

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Da saudade

Alice Ayres


Saudade é uma coisa esquisita.
Sentimos saudade do que não existe mais,
do que, talvez, nem tenha existido.
É...talvez nem tenha existido.

Sentimento sempre é algo parcial.
É apenas um ponto de vista meu.
Ninguém, nunca, irá sentir como eu.
Portanto...a minha saudade da presença sua
pode ser algo inventado por mim...
e, se for, quem irá saber?
eu?

Improvável.

Tem horas que acho que te inventei.
E, se assim for,
minha saudade sua
de fato, não existe.

Da saudade II

Alice Ayres


Ainda relacionado a sentimento...
Tem horas que me perco quando sinto você
é...ainda me perco.
Confesso que quando é fato, não me engano.
E é fato que você não me faz bem.

Mas...sua presença, em mim, é incontrolável.
Quando, no presente, não te tenho,
não te quero
e não te sinto;
você ressurge no passado.
E é só lá que eu ainda te quero.

Se eu pudesse parar o tempo,
provávelmente, não estaria, agora, com você.
No entanto, se eu pudesse regredir,
voltar há dez anos,
nas chuvas de outubro que escondiam meu rosto do seu sorriso,
se eu pudesse voltar...não mudaria nada.

Se for pra te querer...
só te quero assim.

E não precisa toque.
Nem de lábios de pétala,
nem se as pétalas fossem de margaridas!
Só te quero se puder te olhar e te enxergar como eras...
Aquele que poderia, de fato,
ser meu chão e meu céu.
E eu, de fato, te amo.
Amo seu passado na minha vida
e que hoje só tem sentido,
porque, um dia, te senti meu.
Ainda que sem me tocar...
você foi meu.

Acabou.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Aliás

Alice Ayres



Existem sons que são meus
e sempre serão...
são meus e são para mim.
Porém, não fui eu quem os fez.

Da mesma forma,
existem momentos em que minha vida
se fecha
e se abre para mim.
Suave solidão que me engole
sem me fazer sentir dor...
ela me angustia,
me devora,
mas não me mata.
Aliás,
sem ela, eu não viveria.

Me enxergo quando o dia está nublado.
Se o vento soprar as nuvens,
você aparecerá.
Mas, na minha solidão,
alísios não existem.

Talvez eu tenha mesmo que aprender
a conviver com as nuvens
sem nunca saber se elas, de fato,
escondem alguma coisa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Se eu pudesse me reescrever
voltaria a ser a mulher na menina que eu era há dez anos atrás.

Alice Ayres

domingo, 6 de setembro de 2009

Me entorpecer...
as vezes é bom fugir
de mim
de você.
Me entorpecer...
esquecer que meu mal
se traduz na sua ausência.

Volta...

Alice Ayres

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Já é uma das poucas pessoas
que eu permiti carregar uma parte de mim.
Só espero que não fujas comigo
levando pra longe de mim esse pedaço meu.
Não conseguirei erguer meu abrigo
do vento, da chuva, do frio
quando na minha casa
o telhado já é seu.

Alice Ayres

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Utopia?

Alice Ayres


Seus lábios - minha testa.
Suas mãos - meu redor.
Seu hálito - minha nuca.
Sua expiração - minha aura.

Seu tato - minha pele.
Seu rubor - meu sorriso.
Seu horror - minha falta de tempo.
Seu temor - meu sumiço.

Minha paz - colo seu.
Minha boca - pele sua.
Meu rubor - seu calor.
Meu torpor - sua presença.

Satisfação - nossa cama.
Evolução - nosso drama.
Alegria - nossa casa.
Cumplicidade - nossas soluções.

Meu temor - seu cansaço.
Meu vigor - seu abraço.
Minha dor - sua ausência.
Meu viver - sorriso seu.

E que sejamos nós assim, plenos
Um pelo outro
cuidado
amor
silêncio
tato
palavras
gestos e versos...

Já disse que serei muito mais eu por você...
e, se minha subjetividade de fato te atingir,
já decidi: vou pular de novo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Ensaio

Alice Ayres


Você me tirou do chão em poucos dias
e me devolveu a ele em poucos minutos.
Descobri que, em se tratando de você,
é melhor estar no chão do que nas nuvens.

the end

Para este ensaio (já que pretendo dizer isso a você daqui a pouco)
e para nós.

E o pior disso tudo: é verdade.
Tô muito melhor sem você,
apesar de sozinha...

Mas...
estou planejando me surpreender.

domingo, 2 de agosto de 2009

Presente

Alice Ayres


È muito ruim estar sozinha.
e não estou assim simplesmente pelo fato de estar com ninguém.
eu estou assim porque,
além de não estar com alguém
meu coração está totalmente vazio.

Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo...
mas, não tenho em quem pensar antes de dormir,
ouço músicas perfeitas
a trilha sonora da minha história com alguém que não conheço.

Sorrio sem isso alegrar o dia de outra pessoa...
e eu queria ser a razão dos sorrisos de outra pessoa...
e poder retribuir.

Eu creio no amor.
Acredito que fará parte da minha vida de forma plena
e livre...

Eu creio que poderei compartilhar um cobertor
e ser feliz por isso durante anos...

Nunca pensei que eu fosse sentir falta de sofrer por amar.



Alice Ayres

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Hoje é um daqueles dias
em que tudo em mim parece ruim.
Péssimo, na verdade.
E eu queria sumir,
criar asas,
me auto suprir,
me admirar.

Me sinto lixo.

Minha sorte (ou não) é que tem gente que vive de lixo,
tanto os pobres catadores,
quanto os empresários importadores de containers cheios dele.

É..tudo tem muito mais que dois lados.
Hoje todos os meus lados são péssimos...
não estão...são!
Tempo não importa.
Todo mundo só vive no presente.

O passado serve pro lamento ou saudade.
O futuro é a casa dos sonhos.
Mas...vida de fato, só acontece no presente.

e hoje eu só queria não existir...
Dentro de mim não é um bom lugar pra se viver...
Seria se eu não fosse eu hoje.

eu só queria ser a pessoa que sempre imaginei ser.
Saudade dos meus treze anos. Lamento.

Alice Ayres escreveu hoje mesmo.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Do passado

Alice Ayres


do passodo, sinto falta.
ou será lembrança?
se for falta, há, ainda, algo seu que não tenho
mas, se for lembrança...

se for lembrança eu tive tudo, seu, que pude
e permaneço inteira
sem faltar pedaço...

só queria que a minha saudade fosse lembrar você sem sentir dor.

domingo, 12 de abril de 2009

elucubrando...

Alice Ayres



Um poema tem que ser curto
para se fazer direto e inteligível.
Essa opinião é momentânea
e é longa a minha história;
mas poema não é livro nem novela
poema é música;
porém, existe livro de bolso
e canções eternas.

e existe você,
existo eu
e não existimos nós e ponto final.
Ponto final pode encerrar tudo ou compor reticências

E eu posso fingir que te amo
ou aceitar que já passou,
que não esqueci, mas perdeu o sentido;
e só não seremos nós porque eu não quero mais.
mas...posso me ignorar,
posso te sobrepor a mim,
continuar a me perder por buscar você
e não te achar...e não me achar...e sofrer

O ponto de vista pode, ou não, ser real.
Dizer ser amor o que você provoca em mim não passa de um ponto de vista.
ponto...final ou reticências? é...acho que ele só completa a minha interrogação.


Escrito em 24/03/2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Parte de mim

Alice Ayres
Sim, eu sou a inconstância
a tormenta invisível de um mar sem céu
de lua sem Sol
de luz sem olhar


Sim, eu sou mulher
tecida em ciúmes, vontades e consumo
sou como os ventos da madrugada fria
que conseguem cortar e, dialéticamente, aquecer
almas que se perdem
corpos que se entregam por prazer e morrem por desgosto

Queria ser eu, mas sou menina ainda
possessiva, ingênua e mimada...

Quero voltar pro nosso mundo...
lá sou sua sem medo
sem ciúme, posse, consumo nem desgosto.


Escrto em 25/07/2007

Metada bivitelina não fraterna (ou será?)

Alice Ayres
Não procuro mais.
simplesmente espero
espero você voltar pra mim
e você vai voltar pra mim

Não busco mais.
simplemsmente encontro
encontro a forma de "sair dessa"
encontro a minha forma
encontro a mim.

e eu...
eu te espero
e te encontro
em mim
apenas em mim

Não conheço seu rosto
seu tato,
não sei se é rude ou macio
mas te quero

te quero e sei
sei que serei muito mais
e serei muito mais eu
quando você voltar...


escrito em dezembro de 2006

"..."

Alice Ayres
Das palavras escritas, sinto falta.
Sinto falta do tempo
esse passar de horas está cada dia mais curto
e nenhuma mão me desata

Estou amarrada a mim
meu céu, meu inferno e eu
sem nem ter legião pra ouvir
nesse curto passar de horas longas...

São cheiros que ouço,
sons que tateio,
calor que vejo
da imagem que sinto sem gosto.

Antes me sentia apta a alcançar o Sol,
beijar a lua por você...
A lua...que iluminava o escuro,
aquilo que antes me fazia bem.

Tenho medo do negro.
O que antes me completava,
hoje me assusta.
Minto até pra lua.

Cansei de mentir pra mim, no entanto.
Cansei do desencanto
de não andar em pranto
e abafar meu canto.

Antes eu tinha o mundo aos meus pés.
Hoje sou a sola de quem julga ter pés para o mundo
e a falta que sinto de mim mesma
não me deixa lutar

Deixei de sonhar...
Morri.


Escrito em algum dia escuro do ano de 2005

a carência e o vôo

Alice Ayres

Tenho batido asas todos os dias
vôo sempre para os mesmos lugares
dentro e fora de mim
e isso me causa uma angústia terrível

tão terrível que eu mesmo a enxergo como carência.

Carência do que não vivi,
do que vivi sem aproveitar,
de você...

nem sei mais se já o tenho...
ou se ainda virá.

Quero poder voar com você
sem derramar lágrimas
nem de frio
nem de dor...