quinta-feira, 29 de julho de 2010

Falando de perda e luto

Não é a primeira vez que escrevo sobre a nostalgia em relação aos meus treze anos.
Foi ano que tive a pior perda da minha vida. Insuperável.
Foi o ano que amei com todo o amor que eu podia ter sem medo de dar a alguém.
Também supus ter as melhores e inseparáveis amigas,
bem como a segurança de um lar.

Fui segura.
Nunca fui tão mulher, tão personalidade forte quanto em 1999.
E eu tinha 13 anos.

Digo que a perda foi insupeável no sentido de que nada,
nada que eu perca agora ou que eu tenha perdido antes
se compara à perda da minha mãe avó.
A dor...eu superei.
Depois disso, nada me mata mais por dentro.
É claro que existem coisas e pessoas que me maltratam,
me deixam de mal comigo e com o mundo alguns dias...
mas nada conseguirá me matar por dentro.

Naquele ano me tornei fênix.

Os motivos são simples para isso ter acontecido.
A única certeza que se confirmou, foi a da perda insuperável.

O ano passou
e eu não amei.
não tinha amigas.
e minha família... (reticências infinitas para isso...)

E a fênix que voava, se queimou.

Ressurgiu ressequida.
Viva, mas insegura de si.

Me liberto e me perco nos meus vôos.
Fênix com alma de borboleta...
vôa só...
beija algumas flores...
se reflete em olhares abestalhados.

O azul e a infinidade do céu.

O poder do fogo, do ar
e os pés na Terra querendo fugir.

Falar de luto e perda e repensar o cotidiano.

A principal diferença da mulher que sou, pra mulher que fui aos 13,
é que naquela época, a mulher vivia em uma menina otimista, sem medo,
sem evitar o ridículo.

Hoje sou uma menina que vive em uma mulher,
queimada por fora,
encouraçada,
semi-pessimista
e só...
sozinha rodeada de muitas pessoas que julgam ser meus queridos...

Viver é um teatro.

Minha cena de hoje se mistura com loucura, crença, descrença, pessimismo e nostalgia.

Acho que vou comer um chocolate.

Pedido

Não sei o que você tem
que me faz querer te ver,
te ouvir,
em um raio de quilômetros.

Talvez seja seu sorriso largo,
espontâneo,
presente nos seus olhos.
Talvez,
sejam esses olhos que, rindo,
me escondem um mundo...

Pode até mesmo ser essa suposta força
que, misteriosamente,
pede uma mão pra caminhar junto.

Eu,
com meus defeitos,
pileques,
insanidades inconsequentes...
Com meu sorriso,
meu abraço e meu cheiro...
Espero que me permita ter você.

Espero abraçar,
me perder da tristeza
quando te encontrar.

Espero ser em noite de lua cheia,
pra fazer do céu
canção pontuada de estrela.

Espero
me deixar ser criança com você,
brincar,
correr,
rolar...

Também quero ser sua mulher
traduzida em tato,
beijo
e suor.

Só te peço para não fugir
antes de voar comigo pela primeira vez.

"Vamos viver tudo que há pra viver...
Vamos nos permitir..."

terça-feira, 13 de julho de 2010

Calor de noite fria

Noite fria...
Blusa de gola aquece teu pescoço,
o rubor do frio ataca teu rosto
e eu, me entregando à uma sutil imaginação,
rompo a distância que nos separa

pra te tocar.

Noite fria...
e eu queria ser o vento que, teu rosto, toca...
queria ser a gola que envolve tua nuca...
a blusa que te abraça,
a calça que te esquenta
e a meia que beija teus pés.

Te permitiria se vestir de mim.
Se aquecer de mim,
se cobrir de mim,
suar comigo.

O vento em teu rosto - minhas mãos,
passeando, se emaranhando em cabelos.
A gola da tua blusa - minha língua,
apoiada em lábios quentes
que, de tão quentes,
entorpecem
e arrepiam.

Tua blusa - meus seios,
num tocar de peles macias
que, por si só, se envolvem.

Tuas calças...
Coxa minha,
calor entre as coxas minhas,
meu suor no seu.

Beijo teus pés com os meus,
anunciando que,
o que aquece nuca tua,
caminhará por você...nua.
até a sola dos teus pés alcançar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Meu norte em movimento

Seu jeito...
possui um perfeito encaixe com o meu,
como mão e luva,
fogueira no breu.

Seus olhos...
aos meus, emitem e refletem
brilho intenso,
disfarçando a fuga, dos meus, pra sua boca.

Dela sai o sorriso mais delicioso que presenciei,
que confundiu meus sentidos...
Não sei se ouço, vejo ou sinto.
Ao seu lado eu sou mais eu,
minha pluralidade volta à tona,
sou menina, moleca, mulher...
sou sua...e sou muito mais minha.

Aos poucos me desfaço das amarras,
me liberto pra você.
Temo, no entanto, a perda do meu bom senso,
uma tomada de cegueira e amnésia
em relação aos seus sentidos...que são dela.

Mistura seu destino com o meu...
Permita minha liberdade misturar na sua
e eu quero ser sua,
te ver voar tendo a certeza que meu sorriso espera seu pouso,
que meu abraço é seu,
que meu desejo é seu...

Parece que meus sonhos desenharam você pra mim.

Hoje, eu só quero que os seus sonhos não me acordem.