quinta-feira, 3 de março de 2011

Leme

Viajo.
Trilhas, fatos,
rumos imaginários
que quero sem medo.

Te fiz meu guia
num caminho desconhecido
e eu não tenho medo...
mas você tem.
e assim, pra mim, não serve.

Cuido do coração dos meus pais,
das atitudes dos meus amigos...
e me perco em mim.

Cheguei a te dar a chave
que abre a porta do caminho eu que me dá vida.
É escuro.
Eu só te pedi pra fechar os olhos
e sentir o gosto,
sentir o cheiro...
mas você não teve coragem de arriscar...
e, assim, pra mim não serve.

Não existe GPS nenhum que me navegue.
E eu entreguei meu leme em suas mãos...
mas você não teve forças nem pra segurar.
E, assim, pra mim não serve.

Foda é a saudade irracional
que deixa traços de desejo de você
na minha rotina...

Foda é lembrar que, além de tudo,
também te entrguei parte dos meus sonhos...
a outra parte que ficou comigo
eu mudei pra te caber.
E isso... não tem lixo nenhum que caiba.

Caminhos Sobrepostos

Mato, pedra e Sol.
Existem pedras que dão
mais prazer em pisar
que outras.

O suor que escorre,
porém,
marca.
O calor do Sol mata aos poucos
ainda que células da derme.

Eu piso, marco, amasso e vou embora.
Realidade paralela,
caminhos sobrepostos...
Minha pele marcada
de passado de um caminho
que não (nunca) é meu.

Não durmo
com a brisa lunar que aparece
em meio ao silêncio de todos os outros.

Não caminho.
O vento é que me faz caminho...
Paro na noite
me transformo em estrela
enxergo de longe todas as pedras...
Caminhos sobrepostos...
Na brisa noturna
sou alheia a quase todos eles...
menos àquele que me leva aos céus
e me faz voar.