quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sua

O problema, acho,
são meus sonhos...
Me perco neles e esqueço que você é real.

Sim. Eu beijei sua boca,
me perdi na sua língua,
escorreguei no seu tato,
confundi o vento com seu cheiro
e a umidade do ar com seu suor...

É...
enlouqueci com o reflexo do seu sorriso nos meus olhos
e com a cor dos seus olhos brilhando nos meus...

Amo essa sua essência...
ela me inebria, me confunde e me encanta.
Enxergo uma criança frágil,
pro trás de toda essa firmeza,
tem alguém que se perde em si,
se perde no mundo, nas escolhas..
só não se perde e nem se encontra em mim.

Tá aí o problema dos meus sonhos.
Você é mesmo real...
mas não me quer,

apesar de me ter.

domingo, 23 de maio de 2010

Now...

Estou deixando que você adormeça
e que fique, pra mim,
só lembrança,
só saudade;
e que sua presença, a partir de então,
seja exatamente como algo que dorme.

Ainda não dormiu,
mas estou deixando que adormeça.

Só não sei quanto tempo isso vai levar,
nem quanto vai durar...
nem sei se gostaria de te ver acordar um dia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

nós

Uma imagem que me marcou hoje
foi sua cadeira vazia,
com seu violão, solto,
ao lado.

essa imagem se congelou,
pra mim,
e me trouxe vários significados.

Mesmo sem sua presença
sei que o espaço é seu.

E o violão solto, mudo,
me dizia só com a existência,
que num passado recente,
esteve no meu colo...

Você, sem emitir um som sequer,
me deixa palavras soltas com o olhar...
são soltas pra você e pra mim.
às vezes com significados obscuros.

Não sei se suas lágrimas foram por mim,
por você
ou por ela.

mesmo com caneta de quadro branco,
essa tatuagem, em mim,
será eterna.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Da distância

Tenho pensado no significado da distância entre nós.

Ela é perfeita. Pra você e pra mim.

Não me assumo, nem a mim, muito menos assumo o que sinto por você!
Assim, a distância mantem o controle,
não deixa eu me perder,
me impede de gritar pro mundo a intensidade de... de tudo isso.

Você e sua suposta autosuficiência,
a distância também mantem.
Perto de mim, talvez, se tornaria frágil...
Já assumiu que acertei quanto aos seus medos.
Não custaria, pra mim, identificar o vulnerabilidade atrás desses olhos...

Seus olhos!
Meu maior pesar da distância
é não vê-los além do plano virtual escuro.
Sentindo seu hálito
eu costumo fugir deles...
Medo.

Tenho medo de me entregar e acabar.
Pelo menos assim, a gente se mantem.
Distante.
Mas se mantem...

Eu te acordo e você cuida de mim.
Eu te faço rir...e você, ah...você faz por mim, e comigo,
coisas que nem eu mesma saberia descrever!

negação

De forma consciente, eu não te amo não.

Cada suspiro é de lembrança...
Lembro seu sorriso,
seu cheiro que varia de acordo com o sabonete do banheiro,
mas em você, é peculiar, sutil e maravilhoso!
Lembro seus olhos
e seu olhar em mim,
me fazendo tantas perguntas,
e todos os meus receios em respondê-las...

Lembro nossas conversas em silêncio...
e eu entendo tudo o que me diz assim...
acho que você finge que não, mas sabe tudo o que digo
quando olho pra você.

Lembro nosso beijo com chuva.
O colo que você sabe me dar...
E, tem razão...com você eu sou pequena...
me aninho perfeitamente em seus braços,
como se eles fossem feitos para me caber.

Cada suspiro, dói e arranca risos de canto de boca.
Reparou que temos manias semelhantes?
Nossas bocas combinam no riso de lado,
no toque entre ambas,
e no trancar ao pensar em dizer a verdade do que sentimos um pelo outro.

Sim, troco os artigos quando escrevo devaneios sobre você.

Fujo de mim quando o suspiro me faz pensar na possibilidade de sentir amor por você.

Mas...de forma consciente, não! Eu não te amo não!
É só um lapso que, no momento, não me permite voar pra longe
e me aninhar em outro colo,
outro cheiro,
outros lábios...