terça-feira, 14 de novembro de 2017

Topo do mundo nem sempre é olhar do alto.
Às vezes é olhar pra baixo. E querer pular.
Nunca acreditei ter asas…
Nem pra subir, nem pra descer.

Cheguei no topo com as mãos sangrando
E pulei.

Pulei porque vi você lá embaixo
E me lembrei que eu sou das profundezas…
Quis tocar você, e quis voltar pra mim
Mas o abismo tem textura de infinito
E eco de solidão.

E caio.
Sem te ter, me perco
Ensaio uma outra música, mas só sei o refrão
Repetindo que você não tem culpa…

Na queda, seu rosto se perde
Lá longe, onde jamais estive
Onde, talvez, eu só chegue morta

De remorso
De medo
De sonho
De desejo
De ilusão.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ardor


O caminho parece não dar em lugar nenhum.
A música não é boa, a companhia tampouco.
O sol arde demais e a lua tá sempre encoberta.
Até o vento é ruim...do tipo que bate nas costas
e bagunça o cabelo.

De repente, todas as coisas que tenho comigo
perderam completamente o sentido e o gosto.
Os sonhos foram desacreditados, perdidos
na perspectiva de ridículo vinda de outra pessoa.
Para quê?

Não sei cadê minha força pra subir morros.
Caminho retilíneo uniforme onde arrasto os pés,
apenas.

Perdi muitos dos meus sorrisos sinceros,
deixando-os cair, desperdiçados, por  aí.
Sigo a pé. Meio tonta, sem rumo.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

...


Parece
que me alimento
do inconcluso.

Esquece.
Eu nunca fui
o que pensava ser.

Aquece
esse pé gelado
num caminho obtuso.

Fenece
a vontade de plantar
e fazer crescer.

Parece que é amor
mas, esquece.
Aquece um sorriso torto
num relacionamento morto
onde o amor fenece.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Brevidade

Uma foto em branco e preto,
músicas cinzas,
fragmentos de um soneto qualquer
em que prevaleçam monossílabos...

Um rótulo amassado,
de um pequeno pedaço
de sorriso amarelo em tato branco.
Um mini frasco de perfume doce e amargo.

Presença estuporante.
Memória da pele reacende...
Alma  palpita de  amargura.
Um misto de nostalgia e dor.

São pequenas lembranças que acabam comigo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Dicotomia

Será que um dia
eu vou conseguir entender
por que insisto em continuar acreditando
nessas mentiras tão reais
que invento?

Será que vou ter coragem
de arriscar o que tenho,
o que me sufoca,
o que eu definitivamente não quero,
pra experimentar voar
do meu jeito
lá longe?
Seria fuga?
e se fosse, seria problema?
pra quem?

Será que um dia acordarei
livre de tantas culpas
das quais me apropriei
sem ninguém me oferecer?

e será que eu vou esperar
você ir embora
pra eu me desamarrar de mim mesma
e assumir pro mundo (o meu)
que você foi uma das poucas coisas
realmente boas,
realmente humanas,
realmente sóbrias, ternas
e, dicotomicamente, tátil e etérea
que me aconteceu?

Eu sou uma criança mimada
e com muito medo do escuro.