quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Parte de mim

Alice Ayres
Sim, eu sou a inconstância
a tormenta invisível de um mar sem céu
de lua sem Sol
de luz sem olhar


Sim, eu sou mulher
tecida em ciúmes, vontades e consumo
sou como os ventos da madrugada fria
que conseguem cortar e, dialéticamente, aquecer
almas que se perdem
corpos que se entregam por prazer e morrem por desgosto

Queria ser eu, mas sou menina ainda
possessiva, ingênua e mimada...

Quero voltar pro nosso mundo...
lá sou sua sem medo
sem ciúme, posse, consumo nem desgosto.


Escrto em 25/07/2007

Metada bivitelina não fraterna (ou será?)

Alice Ayres
Não procuro mais.
simplesmente espero
espero você voltar pra mim
e você vai voltar pra mim

Não busco mais.
simplemsmente encontro
encontro a forma de "sair dessa"
encontro a minha forma
encontro a mim.

e eu...
eu te espero
e te encontro
em mim
apenas em mim

Não conheço seu rosto
seu tato,
não sei se é rude ou macio
mas te quero

te quero e sei
sei que serei muito mais
e serei muito mais eu
quando você voltar...


escrito em dezembro de 2006

"..."

Alice Ayres
Das palavras escritas, sinto falta.
Sinto falta do tempo
esse passar de horas está cada dia mais curto
e nenhuma mão me desata

Estou amarrada a mim
meu céu, meu inferno e eu
sem nem ter legião pra ouvir
nesse curto passar de horas longas...

São cheiros que ouço,
sons que tateio,
calor que vejo
da imagem que sinto sem gosto.

Antes me sentia apta a alcançar o Sol,
beijar a lua por você...
A lua...que iluminava o escuro,
aquilo que antes me fazia bem.

Tenho medo do negro.
O que antes me completava,
hoje me assusta.
Minto até pra lua.

Cansei de mentir pra mim, no entanto.
Cansei do desencanto
de não andar em pranto
e abafar meu canto.

Antes eu tinha o mundo aos meus pés.
Hoje sou a sola de quem julga ter pés para o mundo
e a falta que sinto de mim mesma
não me deixa lutar

Deixei de sonhar...
Morri.


Escrito em algum dia escuro do ano de 2005

a carência e o vôo

Alice Ayres

Tenho batido asas todos os dias
vôo sempre para os mesmos lugares
dentro e fora de mim
e isso me causa uma angústia terrível

tão terrível que eu mesmo a enxergo como carência.

Carência do que não vivi,
do que vivi sem aproveitar,
de você...

nem sei mais se já o tenho...
ou se ainda virá.

Quero poder voar com você
sem derramar lágrimas
nem de frio
nem de dor...