quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ecos

Na minha inexatidão,
passeio pela curva das dúvida,
pela transparência da mentira
que inventei pra me aceitar.

Não sou santa...nem perfeita;
e quero o mundo.
Rabisco fronteiras finas
com giz de cera quebrado.

Minh'alma labirinto
não cabe em mim
e eu, no meu eu, me afundo

Jogo dados no infinito,
aflito destino que me cerca,
maldito tempo que resseca a pele.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Boomerang

vai.
te prender é algo que eu não faria.
vem...
eu aceito.

vai,
porque você aqui dói.
vem,
já que você longe dói mais.

vai!
não suporto a indecisão!
vem,
porque a suposição, na sua ausência, me mata aos poucos...

vai.
não te quero mais!
mas...vem,
porque eu não te quero menos...

aceito o vai e vem.

o foda é que desde criança
eu  sempre soube
que boomerangs são capazaes de decapitar pessoas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

o que escorre

Se chove
o cheiro muda
o ar umidece
a rua esvazia
minha boca emudece.

E o novo, de novo,
não sei se quero mais.
O passado é tão mais seguro...

e o que tem em mim de obscuro
eu reinvento.

Pensamento vai
se esvai em asas loucas
conexões absurdas
vozes roucas
frases curtas
vento na pele desmancha o suor
do meu esforço pra esquecer.

Me reinvento sozinha
sem arrependimento.
Me molho da chuva
me escorro com ela...
Arranhando meu corpo no caminho,
as marcas ficam.

Me deixo estar, então.
Que seja!