segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Declaração de amor morto

Meus olhos falam.
Gritam o desconexo,
complexo, inconstante
constantemente interno...
e não mentem.

Meu tato me traduz.
Sou desejo inconcluso,
difuso, confuso
e eterno.

Minha boca pendendo um sorriso torto
canta, em silêncio,
a tradução do grito...
o sufoco aflito
do meu amor morto.

Acredito no infinto, porém.
no eterno...no ciclo.
E...ainda que não seja agora,
será,
seremos,
somos,
já fomos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pequena

Raiva não é palavra apropriada para o que me assola no momento.

Não sinto raiva de você,
nem sinto raiva de mim.

Hoje calcei um salto
e me senti pequena.
Compreendi, sem dó nem ressalvas,
que um amor tão grande quanto o meu
pouco significa se ele não se reflete num espelho.

A imagem do espelho não é idêntica,
mas encaixa,
combina, é sincrônica.

De que me serve um amor tão grande
se, racionalmente, pra mim, ele é péssimo?
Me corrói um pouco a cada dia,
destrói minha esperança,
me arranca o otimismo,
me entrega ao ostracismo.

De que te serve ter esse amor tão grande
se o que você reflete o ofusca?
se seus poros não suportam, desse amor, sua expressão?
se sua lógica divaga,
pudor, amor, perversão...

Me senti pequena...
O amor que te tenho me estrapola...
Está nas músicas que ouço,
no gosto da pimenta do almoço,
numa placa de caminhão,
nos meus olhos que se perdem no firmamento
buscando, achar ali, seu pensamento.

O amor que te tenho
está extra-pele...
no vento que me lembra o movimento do teu corpo,
na filosofia que me traz a falta do seu discurso,
nos sonhos pueris que lembro enxergar através dos seus olhos.

Por ser pequena,
me perco.

Antes te achar, do que me achar.

Sou sua.
Toma posse!
Eu deixo..
eu quero!
e..junto,
crescerei com você.

sábado, 7 de agosto de 2010

O corpo se satisfaz de tesão, não de promessas.