terça-feira, 26 de outubro de 2010

Histórias de Caroço

Do meu passado
cavei um poço.
Fechado,
lacrado,
sem fosso.

Límpido,
sem merda,
nem cerdas,
nem súbito.
Eterno,
sincero
e único.

E cavei com uma pá de sonho.
De concreto, não tem nada.

Lembranças são aumentadas
por ideais limitados...
A sua imagem formatada
limpa, por mim, de seus defeitos.

E que, assim, permaneça!
Por você não pago o preço
de te chupar até o osso
correndo o risco
de morrer de indigestão
tal qual caroço
de azeitona vomitado
por bêbado de amor
que engoliu o mundo
pra se moldar em favor
do sonho que julgava perfeito...

E eu não te mereço.

Só, mergulhei no ínfimo
do oceano inteiro que é você.
E, sinceramente, não sei
se quero pagar pra ver...
Vai que meu mundo desmorona
e a gente, ao invés de rimar,
se desencontra
se descongestione
e deixe de existir...

e....você,
eu já defini
como único.

Isso eu não quero perder...
Não vou arriscar
pular,
quebrar o pescoço,
me perder feito caroço
de azeitona em boca de banguelo.

O flagelo, por ti, é bom
de certa forma.
Não morro,
não me perco
e não me encontro.

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