terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Limites Eternos

Traços e cheiros.
Só os dois costumam
ocupar os maiores espaços
da minha história.

E se a história começa com a escrita,
eu assinei meu primeiro poema aos 12 anos.
Traços e cheiros me desenham
e seguram minha mão,
desde então,
para fazer o contorno de todos os meus devaneios.

As curvas dos meus lóbulos
viram meandros em correnteza
quando minha memória viva
fica ativa com algum cheiro

Cheiro de chuva num cruzamento
de asfalto fervendo em uma tarde quente
e nublada.

Cheiro de margarida
com seiva pingando
pela manhã.

Cheiro de hálito.
Cheiro de gosto de hálito.
Cheiro de suor.
Cheiro de alta temperatura de suor.

Minha memória
por cheiros ativada
lembra curvas traçadas por meu tato.

Traço da curva de um cabelo ao vento
de um sorriso contido,
de um sorriso aberto,
de um corpo em movimento.

Traço da curva de seus braços
tentando conter meu choro
num abraço.

Nossas vidas traçadas por linhas tênues
que impõem limites eternos.

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