segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Dicotomia

Será que um dia
eu vou conseguir entender
por que insisto em continuar acreditando
nessas mentiras tão reais
que invento?

Será que vou ter coragem
de arriscar o que tenho,
o que me sufoca,
o que eu definitivamente não quero,
pra experimentar voar
do meu jeito
lá longe?
Seria fuga?
e se fosse, seria problema?
pra quem?

Será que um dia acordarei
livre de tantas culpas
das quais me apropriei
sem ninguém me oferecer?

e será que eu vou esperar
você ir embora
pra eu me desamarrar de mim mesma
e assumir pro mundo (o meu)
que você foi uma das poucas coisas
realmente boas,
realmente humanas,
realmente sóbrias, ternas
e, dicotomicamente, tátil e etérea
que me aconteceu?

Eu sou uma criança mimada
e com muito medo do escuro.

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